Nesta noite, a história do Grande Prêmio Freestyle foi reescrita quando viu Anky van Grunsven, da Holanda, tornou-se a primeira amazona a ganhar três medalhas de ouro olímpicas consecutivas no Adestramento, batendo sua adversária de longa data Isabell Werth, em pouco mais de dois pontos percentuais: 78,68% contra 76,65%, apesar de Werth ter entrado na fase final em primeiro lugar. Heike Kemmer, também para a Alemanha, terminou com a medalha de bronze, à frente do norte-americano Steffen Peters
Os 15 melhores cavaleiros e amazonas no Grande Prêmio Especial foram classificados para esta noite no Freestyle, que foi aberta com a princesa da Dinamarca, Nathalie zu Sayn-Wittgenstein, dançando a música West Side Story, com Digby, castrado de 11 anos, criado por sua mãe, Princesa Benedikte. Contudo, a prova teve uma grande dificuldade técnica, e incluiu um estranho momento, derrubando-a do 12º para o 15º lugar, foi bem coreografada e sincronizada com o caráter leve e elegante de Digby. Fora um momento confuso durante as mudanças a dois tempos e a uma falta de cadência durante as seqüências de passage e piaffe, a reprise foi conservadora. “Ele se assuntou com o telão. Deve ter se visto. Ser a primeira é difícil. Mas eu estou muito feliz com meu desempenho, tendo em mente que é apenas a segunda vez que eu participo do Freestyle.”
Rock pesado foi a escolha de Andreas Helgstrand ― que se adaptou melhor a energia de Shufro do que qualquer outra – e o garanhão exibiu sua força durante uma sucessão de passagens que terminou com um piaffe – pirueta em 360º. Porém, ele também mostrou muita tensão ao longo da prova, especialmente ao passo, onde perdeu pontos valiosos, também houve algumas transições incertas. A dupla melhorou sua posição, indo de 14º a 11º com as contagens combinadas nos GPS e Freestyle. “Eu hoje estou contente com meu cavalo. Não é fácil de obter pontuação alta no começo de um Freestyle.
A melhor maneira de descrever a música de Ashley Holzer era sinfônica, mas não foi elogiável o desempenho de Pop Art, precisando de mais detalhes técnicos, e a coreografia também foi inexpressiva. “O cavalo no início estava um pouco lento. Ele nunca foi a uma competição assim antes. Ele é sempre um bom menino. Honestamente, ele está um pouco cansado.”
O sueco Jan Brink escolheu uma mistura étnica, sobretudo espanhol e grego para apresentar Briar, mas faltou cadência em seu piaffe e o passo foi carregado. Tristemente, a música não foi uma inspiração para um cavalo com a presença do velho Briar, de 17 anos, tirando as forças do garanhão nos movimentos reunidos, em que ele foi recompensado. “Eu estou muito contente com ele, está muito saudável, se sentindo em casa. É ótimo terminar uma competição como os Jogos Olímpicos desta maneira. Este é o último campeonato dele, mas ele está bem e pode se qualificar para Las Vegas (a final da Copa do Mundo de 2009). Eu o aposentarei enquanto for útil, não quando estiver enfraquecido”.
Entre o grupo intermediário, três cavaleiros estavam em seus primeiros Jogos Olímpicos, Courtney King (Estados Unidos), Hans Peter Minderhoud (Holanda) e Bernadette Pujals (México). Dos dois primeiros, King caiu do 8º para o 13º lugar depois de uma atuação em que faltou comprometimento e sincronismo com a música tediosa. Enquanto isso, a coreografia de Minderhoud e o caráter esfuziante de Nadine foram bem satisfatórias, com a orquestração de músicas populares dos anos sessenta e setenta, com transições muito precisas e um passo relaxado. Entretanto, o conjunto estava um pouco atrás da canção durante algumas mudanças, acabaram com uma soberba seqüência de passagem e piaffe, terminando com uma dupla pirueta. “Hoje fomos realmente bem. Eu estou um pouco lento ao galope, mas todos os meus exercícios foram bons”.
Infelizmente, apesar de uma bela coreografia, faltou sincronismo com a música flamenca para Bernadette Pujals e Vincent em várias ocasiões, não acertando algumas transições. Um semicírculo de um tempo foi bem trabalhado. Houve algumas mudanças de direção agradáveis ao galope, mas de maneira geral, faltou a harmonia necessária para uma prova Freestyle e Pujals caiu do 6º para o 9º lugar. “Sempre é algo com o cavalo. Você não pode empurrá-lo. Então eu não trabalhei nos intervalos porque ele estava de mau humor e não querendo trabalhar. Eu também acho que eram meus nervos porque eu sabia que não repetiria o mesmo erro cometido em abril. Eu estava nervosa, por isso não pude fazer melhor. Eu senti que ele ia galopar e, em seguida, ele demorou, e depois, a música passou de mim e eu pensei, ‘Oh, não, o que tenho que fazer agora’? De maneira geral, estou feliz, embora se não tivesse cometido erros eu poderia ter ido mais alto. Quando eu monto com essa música, não sinto confiança no meu ritmo, por isso, fiquei procurando a música e muito agitado. Eu realmente não gosto de montar com música e a confiança está baseada na repetição para se ter sucesso”.
Enquanto isso, Kyra Kyrklund, da Finlândia, com seis participações olímpicas, sempre realiza apresentações divertidas no Freestyle, e esta prova não foi exceção, Max dançou do seu jeito as músicas do musical Cabaret. No entanto, o conjunto brigou com a piaffe, tornaram-se confusos no início do período de mudanças a dois tempos, e produziu balanço demais nos posteriores no fim da passagem. Mas, no geral, houve algumas boas meias passagens e piruetas e eles subiram da 10ª para a 8ª posição. “Eu monto todos os dias e compito contra mim mesmo, me sinto bem em competir nas Olimpíadas e chegar até a final”.
Entrando com a música de abertura “Gone With The Wind”, seguida por outra canção hollywoodiana bastante conhecida, a russa Alexandra Korelova e Balagur apresentaram uma reprise sem problemas, muito expressiva e satisfatória, com figuras vistosas, mas com baixo nível de dificuldade a dupla perdeu uma posição, caindo para a sexta posição no geral.
Em seguida, o conjunto conduzido por Isabel Werth, que se apresentou com uma bela música clássica cortada por vocais líricos. Entretanto, durante uma seqüência de piafee-pirueta, Satchmo se impressionou. Porém, coisas que só acontecem no Grand Prix Especial, durante uma seqüência de piaffe – pirueta, Satchmo se assustou por alguns segundos, embora Werth logo tenha recuperado o controle e terminado a prova sem maiores problemas. Na realidade, depois deste começo duro, consciente da perda de pontos por desobediência, o conjunto lançou a cautela ao vento e correu riscos que foram recompensados com uma marca de 78,10% – uma média de 76,65% entre Grande Prêmio Especial e Freestyle.“Eu não posso dar uma resposta clara por que ele fez isto. Durante o primeiro piaffe no Grande Prêmio Principal ele estava com medo, e hoje começou bem, então talvez eu tenha arriscado demais com o piaffe – pirueta, mas você tem que se arriscar e tentar vencer. Meu desafio agora é lhe devolver a confiança dos últimos três anos, mas ele está muito sensível esta é minha primeira meta.”
A alemã Heike Kemmer teve uma apresentação difícil e também escolheu música popular para fazer Bonaparte brilhar, mas houve alguns lapsos em especial depois das transições, mas o passo foi regular e houve um bom equilíbrio e ritmo de galope, o suficiente para chegar à medalha de bronze.
Competindo em sua segunda Olimpíada, o americano Steffen Peter apresentou uma prova agradável que começou com bateria e percussão, progredindo para uma música eletrônica com um toque de samba. De modo geral, a coreografia foi muito bem construída, beneficiada com um ótimo sincronismo e transições agudas, mas os 76,50% foram insuficientes para chegar ao pódio. “Eu não fiquei com o bronze, mas estive muito próximo. Ás vezes você tem sonhos e hoje senti que estava em um que não tem preço. Disciplina é a ponte entre o sonho e a realização. Eu acho que eu cumpri isso hoje. O bem-estar do cavalo sempre vem antes. Depois das Olimpíadas, eu prometi construir um paddock só para ele [Ravel].”
E a garota de ouro Anky van Grunsven. Com uma música forte composta pelo maestro holandes Wibi Soerjadi, especialmente para Salinero, o conjunto iniciou com uma seqüência soberba de passagem e piaffe, e embora tenham produzido movimentos decepcionantes e um passo bem caprichado, seus pontos fortes sempre geram uma grande vantagem, e quando chegou à pontuação global, era uma prova para medalha de ouro.
Questionada se estava sentindo uma maior pressão pela vitória histórica, van Grunsven respondeu dizendo: “Foi uma semana terrível com um pouco de pressão. Em Atenas, eu não tinha nada a perder então estava relaxada, mas desta vez eu senti que realmente tinha que ter a medalha. Eu não queria colocar muita pressão no Salinero durante o Grande Prêmio, mas errei e cometi erros. Hoje, eu estava mais relaxada porque sabia que Salinero podia fazer uma boa prova e eu não precisei me arriscar, com exceção da parada final… mas eu pensei em esquecer aquilo. No fim, eu acho que não fiz nada de diferente porque me senti segura. É inacreditável ganhar três vezes com dois cavalos diferentes. Eu me considero extremamente sortuda”.
Resultado completo: Prova individual Freestyle:
http://results.beijing2008.cn/WRM/ENG/INF/EQ/C73DD/EQX001101.shtml#EQX001101